Ela nasceu em São Paulo, no meio da pressa, das buzinas e do café sempre na mão. Ele nasceu no Rio, onde o tempo corre em outro ritmo e o pôr do sol tem status de evento. São oito anos que os separam no calendário, mas foi justamente esse desencontro de tempos que fez o encontro acontecer.
Se conheceram no tatame do jiu-jitsu. Nada romântico, nada clichê. Mas foi ali que começou: foram percebendo que a conexão tinha algo de diferente. O jiu-jitsu ensinou primeiro o que depois virou base da relação: confiança, parceria, estar junto do mesmo lado, no mesmo time.
Ela veio com a pressa de paulista, Power Points, a mania de querer resolver tudo de uma vez. Ele trouxe o jeito carioca, leve, tranquilo e um sorriso que desmonta qualquer crise paulistana. No meio disso, ele virou pai de gatos, que viraram família, vinhos abertos numa noite qualquer, viagens que nasceram como um “vamos ver no que dá” e viraram lembranças que nunca saem da memória.
Chico Buarque disse uma vez que “o amor não tem pressa, ele pode esperar em silêncio”. Com eles, não foi silêncio, foi barulho de riso, de conversa atravessada, de vida acontecendo sem roteiro. Foi improviso e cuidado ao mesmo tempo. Foi leve e intenso, simples e gigantesco. É rotina que virou parceria, diferença que virou encaixe, silêncio que virou conforto e riso que virou casa. É um encontro improvável que deu tão certo que parece destino. E talvez seja.